segunda-feira, 1 de setembro de 2014

E lá se vão vinte anos...

Os Cavaleiros do Zodíaco são vinte anos. Várias pessoas do meu face nem eram nascidas quando estreou no Brasil. Não importa quão fã se possa ser de um anime, que comprem camisas, gashapons, bonecos, façam tatuagem, cosplay o que for, quem não é da geração manchete nunca saberá o que é vivenciar, se alimentar de um anime como quem tem minha faixa etária e presenciou aquilo. Até porque, naquele época a gente nem sabia que era um anime. Eu vi o título em espanhol e achei que fosse alguma produção mexicana, argentina, sei lá.

Passava duas vezes por dia, de manhã e de noite, segunda à quinta, sexta-feira passava US Mangá. O único jeito de se obter informações eram pela clássica revista Herói. Foi através dela, na casa um amigo, que eu fiquei sabendo como era o verdadeiro rosto do Grande Mestre do Santuário.

Enquanto hoje, o episódio de um anime pode ser visto em menos de 24 horas após ser lançado no Japão, naquela época era bem diferente. A única maneira era através da Manchete. Foram 52 episódios inéditos até que parou quando Seiya chegava na casa de Leão. Você doido para ver a luta e começava a reprise. Acho que foram quatro ou seis (me corrijam depois) até que finalmente os episódios inéditos começassem a passar indo até o final da batalha das doze casas. Não tinha outro jeito. Só esperando mesmo.

No dia 12 de outubro daquele ano, tive de ira para a cachoeira com o pessoal da igreja que eu frequentava. E o medo de perder o episódio? Meu pai tinha uma tv à pilha, que para funcionava precisava de nove das gigantes. Levei só para ver o episódio em que a Saori era sequestrada pelo Jamian de Corvos. Bom, vi lá na cachoeira e também de noite em casa.

No ano seguinte, eu passei a estudar da manhã e gravava sempre em video cassete para ver de tarde. E, sim, eu também assistia de noite. Parava tudo para assistir. Consegui a façanha de não perder nenhum episódio inédito passado pela manchete.

Houve uma época em que Manchete passou aos domingos, por volta de oito da noite. E eu deixava de ir para a igreja pra assistir.

Não foi só a experiência de depender apenas de uma emissora que tornou ter visto CdZ naquela época algo único. Por mais sucesso que Dragon Ball Z e Pokémon tenham feito, nada, mas absolutamente nada no Brasil ou no mundo pode se comparar ao estrago que Cavaleiros fez.

Eu comprava as figurinhas, na época vinham quatro, que nem eram autoadesivas, num pacotinho que custava 15 centavos! (tão barato *__*). O sucesso era absurdo. Pior que em certo momento as figurinhas pararam de chegar. Era muito, mas muito difícil achar pra comprar. Meu pai quando encontrava, comprava logo 50 pacotinhos de uma vez. Vinham cinco figurinhas que eu não tinha e o resto de repetidas, que eu vendia no colégio ou mesmo pelo bairro. Completei, mas minha irmã fez o "favor" de estragar boa parte dele -___-

Houve também uma bala, Zung, que vinha com figurinhas. Dava pra colecionar trocando embalagens por posteres, mas eu preferi montar um álbum. Cheguei a completar, mas se perdeu ¬¬.

Até hoje guardo parte de uma matéria que saiu no Jornal O Dia sobre a febre que o desenho. Sim, o texto minha irmã estragou ¬¬. Curioso que vinha o Cisne Negro ilustrando e a matéria o chamava de Pégaso.

Foi nesse ano que saiu o filme "A Batalha de Abel", que eu vi no cinema Santa Rosa aqui de Caxias. Um cinema de rua que ainda existe, acredita?

Daquela época eu guardo ainda figurinhas piratas, feias que só, e uma revista Herói. A primeira que eu comprei, falando sobre o OVA, A Batalha dos Deuses. Também tenho uma falando sobre quem era o cavaleiro de ouro mais forte, claro, segundo critérios da própria revista. Cheguei a comprar mais, mas foram se perdendo ou roubadas pelo tempo.

Foi numa revista, não lembro mesmo o nome, mas era maior que uma Herói, que eu tive uma das informações mais legais da minha vida. Tá, foram duas: O Aldebaran de Touro era brasileiro. Cara, que foda, um cavaleiro de ouro nascido em terras tupiniquins! Que se dane que é só um desenho, havia um representante do Brasil no anime de maior sucesso da história brasileira!!!!! Bom, a segunda é a mais legal disparado pra mim. Shaka de Virgem aniversaria no dia 19 de setembro. Nunca curti muito minha data de aniversário até esse dia. Caramba, o cavaleiro mais foderoso de todas as 88 constelações nasceu no mesmo dia que eu! Me senti a reencarnação de um cavaleiro de ouro! Porra, Shaka e eu nascemos no mesmo dia!!! Se aquilo era magistral para um garoto de uns... doze anos, continua agora que eu vou fazer... bom, faça as contas :T

O desenho só chegou aqui por causa dos bonecos, que eu nunca tive um original - existem coisas que o tempo não muda. Cheguei a ganhar um pirata do Shura de Capricórnio. Na época devia ter custado uns trinta reais. Não me pergunte o porquê ser o Shura e não o Shaka, provavelmente só tinha ele no camelô mesmo. Aquelas peças nunca ficavam paradas, caíam sempre. Além desses piratas de ferro, também vendiam uns de plástico, igualmente ruins de manter montados. Cheguei a ter um Seiya com asas e tudo.

Assim, Cavaleiros do Zodíaco não se trata apenas de um anime. Quem viu depois da época da Manchete pode até curtir, gostar pra caramba, colecionar bonecos e outras tralhas, mas não terá tido o mais importante: a experiência de ter vivido a febre, o sucesso, uma época marcada pelo anime que mais fez sucesso no Brasil. Não importa quão fã você seja de um anime, seja ele qual for, se você não viveu aquele período, desculpe, mas você nunca chegará perto de viver o que foi Cavaleiros do Zodíaco na Manchete.